O que você realmente precisa saber sobre o Regime de Caixa.

Atenção a dois pontos importantes para começar a entender o Regime de Caixa:

1. Saldo positivo no banco não tem nada a ver com Lucro

2. Saldo negativo no banco não tem nada a ver com Prejuízo

 

A razão para isso está nos dois conceitos que vamos descrever neste tópico: Regime de Caixa e Regime de Competência.

 

Regime de Caixa é o mais fácil de entender, é o que entra e sai de dinheiro da empresa. Normalmente as entradas são decorrentes dos recebimentos das vendas (à vista ou a prazo) e as saídas são para pagamentos de despesas ou compras de produtos.

 

O mundo seria lindo se tudo pudesse ser controlado só pelo Regime de Caixa, mas aí tudo teria que ser pago ou recebido à vista, até os impostos e os salários, por exemplo, como se tivéssemos que pagar um pouquinho dessas despesas todos os dias.

 

Mas felizmente as coisas não funcionam assim. Imagine ter que fazer pagamentos picados aos funcionários todos os dias? Recolher uma guia de imposto por dia? Pagar a energia elétrica e o aluguel diariamente? Ficaríamos loucos.

 

Para não ficarmos loucos, criamos os prazos de pagamento: o imposto referente ao mês de abril pode ser pago até o fim de maio, para os salários é a mesma coisa, o 13º só é pago ao final do ano, pagamos nossos fornecedores com 30/60/90 dias e às vezes concedemos prazos para nossos clientes também.

Então a contabilidade precisou criar um sistema para monitorar o desempenho das empresas considerando todos esses prazos diferentes. Esse sistema é chamado de Regime de Competência.

 

Importante: O Regime de Competência não olha para o caixa ele olha para as ocorrências dentro de um período. Por exemplo, uma venda ou despesa feita em março com prazo de pagamento de 30 dias, deve ser registrada em março e não em abril. A mesma coisa vale para todas as outras ocorrências a prazo.

Vamos criar um exemplo para as coisas ficarem mais claras:

A Empresa A teve as seguintes ocorrências no mês de junho de 2015:

Dia 01 – Compra de produtos para revenda no valor de R$1.500 com prazo de 30 dias para pagamento.

Dia 05 – Pagamento de salários referentes a maio/2015 no valor de R$800.

Dia 10 – Todos os produtos comprados no dia 01 são vendidos por R$2.500, sendo metade à vista e a outra metade com prazo de 30 dias.

Dia 15 – Pagamento de aluguel referente a maio/2015 no valor de R$300.

 

Informação: O saldo da conta bancária da empresa no dia 01 era zero.

 

Agora vamos organizar as ocorrências em uma tabela:

Dia Ocorrências do mês de junho/15 Regime de Caixa Regime de Competência
01 Compra de produtos para revenda

-R$1.500

05 Pagamento de salários de maio/15

-R$800

10 Venda de Produtos

R$1.250

R$2.500

15 Pagamento de Aluguel de maio/15

-R$300

30 Salários – competência junho/15

-R$800

30 Aluguel – competência junho/15

-R$300

   Saldo/Resultado Final R$850

-R$100

 

Veja que o saldo na conta da Empresa A ao final do mês, é positivo de R$850, mas isso não quer dizer que a empresa teve lucro deste valor. O resultado real deve ser levantado pelo Regime de Competência, que apurou um prejuízo de R$100.

 

O empresário que não conhece o conceito de Regime de Competência, pode entender que teve um lucro de R$850, deturpando completamente a sua percepção sobre o desempenho do negócio.

 

Um cliente meu costuma dizer que controla o desempenho financeiro de seu negócio por “Competência de Caixa”. Primeiro que a expressão, além de estar completamente equivocada, cria um efeito de looping no cérebro. Afinal, não dá para usar os dois sistemas ao mesmo tempo.

 

É claro que ele se refere ao Regime de Caixa. Mesmo assim, acho muito arriscado controlar a empresa desta forma, pois como eu disse antes, ela só se aproxima da realidade quando quase tudo é pago e recebido à vista, o que não é o caso dele.

 

Para saber o desempenho real de sua empresa, você precisa reconhecer pelo menos os efeitos mais importantes pelo Regime de Competência. Isso permitirá que você faça reservas para pagamentos futuros já contratados, além disso, retirar como lucro aquilo que efetivamente lhe cabe, evitando o surgimento de buracos surpresa que terão que ser tapados depois.

 

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O melhor planejamento tributário?

Neste tópico quero falar sobre uma tentação que cedo ou tarde desperta na cabeça de 9 entre 10 empresários: arrumar um jeito de pagar menos impostos.

 

Não tenho nada contra querer pagar menos impostos. Eu passei a maior parte da minha carreira estudando formas de auxiliar meus clientes a pagar menos impostos. O problema está quando o empresário decide ser mais esperto do que o Fisco.

 

Antes de eu continuar, só queria dizer uma coisa: de uns anos para cá, o Fisco se tornou imbatível. Ele vê tudo, simplesmente tudo, 100%!

 

O poderio tecnológico do Fisco está infinitamente além do que conseguimos controlar. Tudo hoje é eletrônico e está à disposição dele. Suas ferramentas de cruzamentos de informações são tão poderosas, que já não conseguimos mais prever o que ele pode fazer.

 

As notas fiscais são eletrônicas, as movimentações financeiras são eletrônicas, as declarações são eletrônicas, compramos tudo com cartão. Tudo está ao alcance do Fisco!

 

Então, aqui vou falar da turma que quer ser mais esperta que o Fisco, daquele empresário que vende sem nota, que informa valores devidos menores nas declarações, que manipula os estoques, que abre empresas em nome de laranjas, que usa créditos fictícios.

 

Esse pessoal ainda não sabe, mas a atividade deles não é comércio ou prestação de serviços, é sonegação!

 

Imagine um empresário que faça vendas sem nota fiscal para aumentar ou ter algum lucro. Esse lucro não será proveniente da rentabilidade de seu negócio, mas do imposto que ele deixou de pagar.

 

Portanto, expandindo o raciocínio, das duas uma, ou toda a concorrência deste empresário sonega impostos para ter lucro, ou este empresário não tem competência suficiente para fazer o seu negócio competir com os outros em igualdade de condições.

 

A segunda opção é sempre a verdadeira, mas dificilmente este tipo de empresário assume a responsabilidade pelas suas deficiências. Como já falei anteriormente neste guia, é mais fácil culpar o Fisco, os bancos, os empregados, etc.

 

O problema é que o Fisco vê tudo e ainda por cima tem outra vantagem espetacular em relação aos empresários: o tempo.

 

Se o Fisco soltar uma norma alterando a forma de cálculo de um imposto a partir de 01 de janeiro de 2016, as empresas têm que fazer de tudo para estarem preparadas naquela data. O Fisco não. Ele tem cinco anos para começar a fiscalizar os efeitos da norma que editou.

 

Por exemplo, se uma empresa deixa de pagar um imposto em 01/01/2016, o Fisco tem até 01/01/2021 para fiscalizar e cobrar esse imposto (com multa e juros).

 

Os empresários “espertos”, às vezes também mal orientados em momentos de fragilidade, começam a utilizar truques para reduzir o pagamento de impostos e acham que a estratégia está funcionando, porque o Fisco não se manifesta.

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Só que 5 anos depois adivinhe o que acontece? O Fisco apresenta a multa, que normalmente é tão pesada, que pode acabar matando a empresa. Posso afirmar porque já vi dezenas de casos assim.

 

Não caia em tentações, não ache que pode ser mais esperto que o Fisco. Se algum consultor surgir com uma proposta que parece ser muito boa para ser verdade, desconfie, pois a multa no final virá para você e não para ele.

 

A Lei tributária é a mesma para todos. As regras do jogo são colocadas pelo Fisco e as empresas têm que competir segundo elas. É como um torneio esportivo. Se o seu time está perdendo mais do que ganhando, não é culpa da regra ou dos juízes. Com certeza é o seu time que precisa melhorar.

O que você já devia saber sobre empréstimos bancários.

Neste tópico eu quero deixar uma regra muito clara em relação aos bancos, caso ainda haja alguma dúvida para você. Vamos chama-la de regra do lobo em pele de cordeiro.

 

“O objetivo de um banco não é nos ajudar, mas sim lucrar emprestando para nós.”

 

Por favor, nunca mais esqueça esta regra. Assim você terá um relacionamento melhor com os bancos e menor possibilidade de se frustrar.

 

Bancos têm muito dinheiro, gastam muito com propaganda na televisão e, se você reparar, todos eles transmitem uma mensagem onde parece que são verdadeiras instituições de caridade.

 

Mas é justamente nos “ajudando” que os bancos conseguem realizar as operações que trazem lucros, ou seja, os empréstimos. A ideia por trás deste tipo de propaganda é bem simples: se acharmos que o banco é um “amigo” disposto a nos ajudar, contrataremos empréstimos muito mais facilmente.

 

Passo 08

 

Nada contra empréstimos. Empréstimos e financiamentos, quando feitos com inteligência, são extraordinárias ferramentas para fazer sua empresa crescer, sem que você tenha que investir dinheiro do seu próprio bolso.

 

Mas quando não são contratados de forma inteligente, eles podem levar sua empresa rapidinho para o buraco. Então vou listar algumas dicas para você sempre ter em mente:

 

1. Fuja dos empréstimos fáceis:

 

Cheque especial, crédito pessoal, crédito automático, são todos empréstimos de fácil acesso (você pode contratar com um clique).

 

Mas adivinhe só, eles também têm as maiores taxas de juros (média de 9,5% ao mês!!). Porque você acha que o banco facilitaria tanto assim? Lembre-se da regra do lobo.

 

Coloque-se no lugar do banco, se você pode vender um produto com maior margem que outro, qual venda você vai facilitar mais? Os bancos agem da mesma forma e pior, aproveitando-se de momentos de fragilidade de quem está precisando.

 

Taxas como essas acima são abusivamente altas, e posso garantir que nenhum empreendimento consegue sobreviver muito tempo recorrendo a estes tipos de créditos.

 

2. Faça a lição de casa:

 

Existem linhas de crédito muito mais baratas à disposição, mas como já falei, o acesso a elas não é tão fácil. É preciso pesquisar, consultar quais produtos estão sendo oferecidos pelos bancos e quais são os requisitos ou garantias para contrata-los.

 

Para ter uma base de comparação, o crédito para capital de giro com menos de 365 dias tem taxas variando de 1,3% a 5,9% ao mês, ou seja, muito inferiores às do cheque especial. E é possível encontrar linhas ainda melhores!

 

No site do Banco Central do Brasil, você pode consultar todos os tipos de crédito disponíveis e as taxas de juros que cada banco oferece. Para acessar a página clique aqui.

 

3. Fique o menor tempo possível com a dívida

 

Se o seu caso foi uma emergência e você precisou recorrer aos bancos, tenha um plano preparado para se livrar da dívida o mais rápido possível.

 

Quando tiver fluxo de caixa positivo, quite o empréstimo, mesmo que parcialmente antes do vencimento. Não existe aplicação financeira melhor do que quitar seus empréstimos bancários.

 

Não se acomode. A cada dia que o empréstimo passa com você, a sua empresa é obrigada a pagar algumas dezenas, centenas ou milhares de reais para o banco.

 

Pense no empréstimo como se fosse uma praga destruindo aos poucos a sua lavoura dia após dia. Quanto mais rápido você se livrar dela, melhor para a lavoura e para você.

 

Em momentos difíceis, o segredo é manter a calma para enxergar as melhores alternativas e aproveitá-las. Se você já tem o hábito de manter o acompanhamento do orçamento de sua empresa, conseguirá se antecipar a esses momentos, tendo mais tempo para planejar a contratação de seu empréstimo e como irá paga-lo.

 

Sem monitoramento, o empresário pode ser pego de surpresa, tendo muito pouco tempo para reagir, reduzindo suas possibilidades e ficando à mercê de empréstimos mais caros.